segunda-feira, 30 de novembro de 2009

PERFIL BIOGRÁFICO DE MACHADO DE ASSIS

Em 1.906, na posse de Afonso Pena, como ministro da Aviação em um salão repleto de pessoas gradas e funcionários do Ministério, escondia-se uma glória nacional, a maior figura de letras brasileiras, reconhecida e venerada por todos; por ser o Presidente da Academia Brasileira de Letras, Machado de Assis, atingira também o cume de carreira burocrática, e ocupava uma das diretorias do Ministério

O novo ministro aproveitou o ensejo para, no seu discurso de posse, perante os funcionários enaltecer a figura de seu subordinado, reconhecendo a grandeza de sua personalidade de escritor e servidor público, situação que alcançara pelos seus próprios méritos, tendo vindo da condição mais humilde.

Tímido e arredio, avesso ao elogio, suportou encolhido e cabisbaixo. As palavras justas do ministro traduziam a consagração nacional que envolvia a imagem daquele homem.

Em 1.839, época de transição política brasileira, que se reflete numa fase de agitações. No ano seguinte foi promulgada a maioridade do novo imperador. Mesmo assim, após 17 anos, D. Pedro I tenha proclamado a in dependência, a sociedade brasileira vive a mesma atmosfera da época colonial. Ainda sem conquistar uma independência de costumes, assim como uma autonomia intelectual. Haja vista não se ter uma Literatura que externasse o nacional. Esse fato passa a acontecer através de jornal, porém de forma bem vazia.Enquanto isso, decorre a vida nos cafés da Ouvidor, o ponto máximo da cidade e centro do comercio elegante, local de encontros ao cair da tarde, de exibições da moda (e tudo mais vindo da Europa). A vida das sinhazinhas divide-se entre os bailes e namoricos. Os acontecimentos máximos eram ainda o entrudo, então festa grosseira e semibárbara, apenas para uns poucos, o teatro lírico, com suas prima-donas importadas da França e da Itália.

O Rio era uma pequena cidade suja ,desconfortável e tumultuada. Diariamente, os jornais divulgavam notícias de lutas entre negros e foragidos. Nas redondezas da cidade de pequenos sobrados, as grandes chácaras dos senhores do império destacam-se com sua imponência colonial. Na proximidade de uma delas, no morro do Livramento, nasce no dia 21 de Junho de 1.839, o menino que recebeu o nome de Joaquim Maria. Seu pai, mulato, pintor e dourador Francisco de Assis. Sua mãe, lavadeira, Maria Leopoldina Machado de Assis, portuguesa da ilha de São Miguel. A chácara da família da viúva Dona Maria José de Mendonça Barroso, esposa do senador Bento Barroso Pereira, falecido dois anos antes, teve grande influência na vida do escritor. Foi lá que Machado passou grande parte de sua infância. Foi a própria Dona Maria José a sua madrinha, da qual os pais de Machado tinham sido agregados.

MENINO POBRE NO MUNDO DA FIDALGUIA

O mulatinho passou a ser objeto de ternura da grande dama, da qual recebia total proteção. Sua infância se passou entre o sobrado e a casa humilde dos pais. Desse contraste pode-se dizer que nasceu em sua índole, a inclinação e o gosto pela fidalguia, presente em sua obra, além do desprezo à pobreza, afastando-se ao ponto de esconder suas origens. E na vida, se frequentemente deixará escapar um tom de simpatia por aquele meio fidalgo que viveu, só muito veladamente refere-se aos pais e à casa humilde onde deu origem a sua vida.

Os pais de Machado tiveram apenas um casal de filhos, o primeiro é Joaquim Maria e depois nasceu uma menina, de constituição doentia, que morre prematuramente. O próprio escritor não é uma criança sadia, pois na vida adulta manifesta-se a epilepsia que recebeu o primeiro ataque logo após seu casamento; e conforme declarou Machado que sentira quando criança “umas coisas esquisitas”.

Contudo, Machado teve uma vida de liberdade e, de seus giros na sociedade, muita coisa será transferida, mais tarde, para sua obra, que apesar de tão nua de cenário, segundo Brito Broca-“tantos elementos oferece para os que pretendem reconstituir a vida do Rio antigo” porque Machado “Nunca deixou de caracterizar, com alguns traços suficientemente marcantes, o quadro urbano em que evoluem os personagens”,chega a fazer descrição de seu próprio morro.

A morte da irmã sucede a da mãe. Logo em breve, Francisco José casa-se com Maria Inês a qual dá continuidade a educação iniciada por Maria Leopoldina. Aluno de escola pública, Joaquim Maria revela-se como aluno de grande inteligência.
Custa-me dizer que eu era dos mais adiantados da escola. Mas era. Não digo também que era dos mais inteligentes, por um escrúpulo fácil de entender e de excelente efeito no estilo, mas não tenho outra convicção. Na lição de escrita, por exemplo, acabava sempre antes de todos.”

A revelação de tal capacidade abre perspectivas para Francisco José. O menino poderia auxiliar nas despesas da casa, através de um emprego modesto.Então Joaquim Maria vai trabalhar em uma papelaria, trabalhar como caixeiro, porém as aptidões demonstradas na escola não se repetem no exercício da profissão, onde permanece durante três dias.

Em 1.851, com a morte de seu pai, a vida se torna ainda mais difícil. Sua madrasta emprega-se como doceira num colégio modesto, onde Machado atuava como vendedor de doces. Agora moravam em São Cristóvão. Mas no colégio, repetem-se para Machado a mesma situação do tempo de Livramento: o contato com gente de classe superior. Pois pelo fato de morar no casarão da madrinha, isso atrai a proximidade dos professores e dos alunos do estabelecimento. Com isso, adquiria livros emprestados o que favorecia o enriquecimento dos conhecimentos elementares que absorvia na escola pública. Sua prematura estréia na imprensa, aos 16 anos, leva-nos a admitir que o menino haveria de se dedicar às letras. E é de crer também que começasse a rabiscar os primeiros versos, e que, com o valor de sua remuneração, adquirisse jornais, para ler os poemas e os romances de folhetins na Marmota e no Correio Municipal, e já sonhasse em mandar também, para eles, suas primeiras produções.

Machado serve também de coroinha na igreja de Lampadosa, chegando a fazer, de barca, o trajeto da Praia de São Cristóvão para o cais Pharoux, na cidade, ajudaria na missa. Depois de cumprir o ofício, passeava pela cidade a qual conhecia como a palma da mão, visitava aos sebos, onde ficava namorando os livros. Em seguida o menino corria para o largo do Rossio, no número 64 da Praça da Constituição, na Livraria de Paula Brito, cujos mostruários o atraiam.

Em 1.885 foi publicada na imprensa sua primeira sua primeira obra, a poesia Ela, na revista Marmota, onde vários escritores da época publicavam suas obras, e através desse contato Machado passou a fazer parte desse grupo. A partir daí Machado passou durante um ano escrevendo em um jornal de Paula Brito. Após esse período consegue trabalhar de tipógrafo na Imprensa Nacional, dirigida por Antônio Manuel de Almeida que já era autor da obra Memórias de um Sargento de Milícias, porém Machado não correspondeu ao ofício, pois preferia dedicar-se à leitura, em horário de serviço, a cumprir suas atividades obrigatórias. Tal fato firmou entre os dois uma amizade mais sólida e duradoura.
Já em 1.858, com a função de revisor, retorna à casa de Paula Brito, continuando a escrever no jornaleco. Começa a escrever textos em prosa. Embora com tenra idade, já se relacionava com grandes escritores da época como Casimiro de Abreu, Gonçalves Dias, José de Alencar, dentre outros.

Em 1.860, Quintino Bocaiúva, redator chefe do jornal o “Diário do Rio de Janeiro” e amigo de Machado, o convida para a redação; e como jornalista e como escritor publica várias obras em 1.861 “Queda que as Mulheres Têm Para os Tolos”, “Marmota-Hoje Avental, Amanhã Luva” sua primeira obra teatral.

Em 1.867, Machado conhece Carolina de Novais, irmã de Faustino Xavier Novais, amigo do escritor que inicia namoro com a jovem 5 anos mais velha que ele. Com o namoro surgem as perspectivas para o casamento, não muito aceito pela família Novais, quem sabe ser uma rejeição à origem e a raça do poeta (...???). Porém, no dia 12 de novembro de 1.869 concretiza-se o matrimônio, considerada na Literatura um dos mais felizes da época e, mais tarde foi evocado em “Memorial de Aires”. Carolina não assume apenas a função de esposa , mas também a de enfermeira, após a primeira crise de epilepsia,doença nunca revelada pelo marido e que seria a maior tortura na vida de Machado;doença que fez aumentar consideravelmente os cuidados da esposa .Tal união chegou ao fim com o falecimento de Carolina Novais, em 20 de outubro de 1.904.

Em 1.871, aos 31 anos de idade, publica o romance “Ressurreição”, seguido de “Histórias da Meia Noite”, em 1.873, período em que Machado já era um escritor de renome. Os críticos literários teorizam que, a maioria das obras machadianas, é feita de trechos de recordações de sua vida, sobretudo em seus romances femininos, nos quais, observa-se com freqüência a mudança de condição social.

Em 1.880 inicia a obra “Memórias Póstumas de Brás Cubas” e editada em 1.881 na Imprensa Nacional, com excelente acolhida. E em 1.899, “Dom Casmurro”, considerado por muitos literários um dos mais belos romances da Literatura brasileira. Em 1.907 inicia seu último romance “Memorial de Aires” com muito saudosismo, concluído em 1.908,quando Machado encontra-se muito doente tanto da vista quanto de uma freqüente infecção intestinal, além de freqüentes ataques epilépticos. No 1° dia de agosto, deste ano, faz sua última sessão na Academia. Morre exatamente ás 3h45min do dia 29 de setembro, na presença de seus amigos mais íntimos,dentre eles, Mário de Alencar,Euclides da Cunha , Coelho Neto e Raimundo Correia.Seu enterro acontece no dia seguinte,acompanhado por uma multidão e pelas maiores personalidades do país, sob o discurso do Conselheiro Rui Barbosa, como representante da Academia Brasileira de Letras, cujo homenageado foi seu fundador.

Um comentário:

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Bruno